Eleições 2016

É isso mesmo: Fast Food da Política. A organização, que existe há mais de um ano da
primeira jogatina, é um núcleo de desenvolvimento e aplicação de jogos e metodologias que
têm sempre um objetivo comum: decifrar o sistema político brasileiro.

Os jogos são simples, dinâmicos e, principalmente, rápidos. A ideia que dá origem à Fast
Food da Política surge como um desafio: é possível aprender – e compreender – algo sobre
o engrenhado sistema político na mesma velocidade com que comemos um hambúrguer? O
desafio foi aceito. Comparação esdrúxula? Nem tanto: a própria arquitetura do Congresso
Nacional acabou revelando o que a Política nos guarda – podemos devorá-la com gosto!

Fast Food da Política: o que entra em jogo

Os jogos e as metodologias elaborados pela Fast Food passam por diferentes recortes e
abordagens. As primeiras propostas testadas oferecem as mais básicas e abrangentes
temáticas que envolvem o funcionamento do Sistema Político e do Estado – como a divisão
dos Três Poderes, as três esferas e as funções de cada cargo no Governo -, e na sequência
são desenvolvidas, até o momento presente, discussões e obras mais específicas e
esmiuçadas sobre as personagens, as estruturas e os processos políticos no Brasil.

Neste ano, a Fast Food da Política inaugurou uma linha de jogos voltado às eleições
municipais, com eventos de aplicação nas ruas, abertos ao público e descontraídos. Os
jogos se propõem a discutir o sistema eleitoral, as propostas que os candidatos colocam em
xeque em seus planos e discursos e outras questões em pauta, como a representatividade
na Câmara. Para onde o voto vai, se os mais votados são eleitos, o que é quociente
eleitoral, voto nominal, voto de legenda, voto nas, voto nulo e o que significa o tal de puxador
de voto.

Ao longo dos meses de setembro e outubro, para oxigenar um debate mais fluido e leve sobre
esses temas, a Fast Food da Política promoveu uma série de intervenções nos espaços
públicos para decifrar essas criptografias, convidando os participantes a desmistificar os
processos envolvidos e, pouco a pouco, a interferir sobre eles de forma prática.

Arrumando a bagunça – o que ficou

Após o corre-corre do período eleitoral, é hora de juntar as cartas, arrumar as peças e fechar o
tabuleiro. Ou, pelo menos, até a semana seguinte!

As reflexões são muitas e o aprendizado imensurável: quando a Fast Food leva os jogos às
ruas, espalha informações e desperta interesses, mas carrega de volta pra casa uma bagagem
cada vez mais recheada de ideias, provocações e desafios. O público diversificado das
intervenções abertas trouxe aos eventos espanto e criatividade. A timidez dos mais jovens não
impediu que tirassem dúvidas jamais previstas pela equipe, enquanto a confiança dos adultos foi
desafiada quando muitos perceberam não saber conceitos elementares da atribuição de
responsabilidades a cada esfera governamental.

As integrantes da Fast Food atuam sempre com muita fome de tirar dali novidades,
gargalhadas, descobertas, mas, principalmente, apetite pela possibilidade de intervir sobre os
mecanismos que determinam os aspectos mais básicos da vida pública. A vontade de gerar nos
passantes de cada espaço essa mesma inspiração nem sempre foi bem recebida: pessoas a
passeio muitas vezes não se dispunham a tentar entender “por que, afinal, falar de Política
parece tão chato?”. Outras vezes, no entanto, a atratividade das atividades lúdicas falou mais
alto: quem nunca quis parar um pouquinho o que estava fazendo pra jogar um jogo novo? De
todos aqueles criados pela Fast Food da Política, no fim da coleta de dados e das palavras
cruzadas segue fora da caixa um em especial: o Debate.

Reflexões diversas se confrontam e pautas não faltam – será que as pessoas que participaram
de cada jogatina aplicarão o que aprenderam em sua vida prática? De que maneira? Não existe
o risco de tantas descobertas assustarem mais que motivarem para a participação ativa nesses
mecanismos?

Sim, os riscos existem, e não são poucos, mas uma coisa é certa: quando as pessoas se
descobrem jogadoras na dinâmica toda que é o sistema político, percebem-se também
protagonistas. E aí, caros leitores, o placar está sempre a favor de todos.

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